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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Ataques do dia 16 de setembro de 1943: 70 anos.



Eu estou adorando fazer estes posts sobre Nantes na 2a guerra. Claro, o assunto é muito triste e são trágicas lembranças para a cidade. Mas me sinto um pouco “inserida” na história, pelo fato de conhecer os lugares que eles relatam, e isso faz com que escrever sobre o tema seja interessante. 

Mas dando continuidade, hoje vou falar sobre o bombardeio de 16 de setembro de 1943.
A cada ano, a prefeitura de Nantes, na data de hoje, realiza uma cerimônia no cemitério de “La Chauvinière”, onde está a maior parte das vítimas.

Mas, para o 70º aniversário do bombardeio, a cidade decidiu “incluir” a população às manifestações previstas para o evento. 

Hoje, segunda-feira, dia 16 de setembro de 2013, em diferentes momentos do dia acontecerá algum tipo de cerimônia, que vão desde inaugurar uma esplanada em homenagem às vítimas do bombardeio, como visita ao cemitério de “La Chauvinière” e, no centro da cidade, exatamente no horário em que o bombardeiro começou (16hs), as sirenes da Torre da Bretanha ( prédio mais alto da cidade de Nantes) irão tocar.
Mas o que realmente aconteceu neste dia que fez com que este bombardeio tenha sido tão devastador?

Apesar das sirenes de ataque antiaéreo que soaram neste dia, a população pensou que o ataque se dirigia à Saint-Nazaire, pois era sempre este o alvo principal (só para “contextualizar”, Saint-Nazaire está, em média à 65km de Nantes), não dando a devida importância ao alerta.

O primeiro lançamento foi feito às 16h02min, de uma altitude de 5000 metros, por um bombardeiro que errou a sua localização e lançou as bombas muito cedo, em torno do Parque Procé, à 3km, em média do local visado (que não era Saint-Nazaire e sim, pelo que eu entendi, o porto que existe na cidade de Nantes, onde hoje é a Île de Machine). As duas ondas de ataques seguintes, seguiram em direção ao oeste, atacando o porto na altura de Chantenay, logo, os dois outros, derradeiros, aniquilaram o aeroporto de Château-Bougon. 

Ao final, um dos últimos grupos da esquadrilha erra igualmente o seu objetivo e libera toda a sua carga de bombas no centro de Nantes.  Foram usadas bombas incendiárias e de gás, com um triste score com que se refere à vítimas fatais. 

Segundo testemunhas, o ataque não durou mais que 15 minutos (na realidade durou somente 5 minutos, segundo consta nos planos de voos depois recuperados). A ruas da cidade tem um aspecto pós-apocalipse.  A população ficou traumatizada. 

Bom, como vocês viram, Nantes foi  atingida por um “erro de cálculo” dos pilotos americanos. Mas depois disso, porque Nantes foi novamente aniquilada, 7 dias mais tarde?
Isso  veremos no próximo post, dia 23 de setembro!!.

Até lá, deixo mais algumas fotinhos da cidade após o bombardeio.


Place du Bouffay - 1943
Rue de la Calvaire - 1943
Place Royal - 1943
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domingo, 15 de setembro de 2013

70 anos de uma tragédia para nunca ser esquecida



Eu adoro história, no momento de escolher a minha carreira, fiquei seriamente em dúvida entre fazer faculdade de história ou direito. 

Na triste ilusão de que como advogada eu teria chances de ganhar dinheiro (hahahahhahha) acabei optando pelo direito. Não me arrependo, ainda estou esperando a parte financeira, mas me considero uma advogada bem resolvida.
Nem por isso a minha paixão pela história ficou de lado e quando fiquei sabendo que na próxima semana Nantes lembrará  70º aniversário de dois dos piores bombardeiros sofridos durante a 2ª guerra mundial, não resisti em escrever um post para o blog.

Afinal, nós no Brasil estudamos tanto a 2ª guerra Mundial, seus horrores, mas é tudo tão distante é tudo tão longe é “lá na Europa” e quando se está em uma cidade que viveu e sofreu isso e as vezes ainda colhe os “frutos podres” desse período negro (já que não é raro em escavações ou construções encontrarem bombas que não explodiram e que para removê-las, as vezes é preciso evacuar quase um bairro inteiro) acho interessante saber um pouquinho mais.

Os dois piores bombardeios acontecem nos dias 16 e 23 de setembro de 1943.
Assim, pra não fugir do meu padrão o post ficará longo, já que quero anexar fotos de alguns locais bombardeados que eu reconheci e fotos desses locais como eles estão hoje.
Assim, irei dividi-lo em 3 partes, esse de hoje, onde eu dou uma pequena introduzida no assunto, um amanhã, dia 16 de setembro, contando sobre o bombardeio deste dia e outro, dia 23 de setembro.

Entre 27 de julho de 1940 e 2 de agosto de 1944, Nantes sofreu 28 ataques aéreos. Mas os ataques dos dias 16 e 23 de setembro de 1943 foram, sem dúvida, os mais graves e dramáticos. Ambos realizados por unidades americanas. 

Nantes, não diferente do resto da França, estava tomada por tropas nazistas. Foram entre 1000 e 1500 bombas usadas pelos “Aliados” visando, em princípio, a região portuária e industrial da cidade – com o objetivo de enfraquecer as tropas do Eixo. 

Mas os dias 16 e 23 de setembro, particularmente, são datas sinônimas para os nantêses de pesadelo e dor. Centenas de bombas atacaram a cidade, fazendo 1463 vitimas e 2500 feridos. 700 casas e prédios destruídos e quase 3000 considerados inabitáveis.

Depois que Nantes foi libertada, em 14 de agosto de 1944, muitas questões começaram a serem colocadas. Porque Nantes foi alvo de um ataque dessas proporções? Porque a aviação inglesa e americana foi tão violenta contra a cidade dos Duques? Terá sido um sacrifício necessário para vencer a ocupação?  Quais eram os objetivos dessa onda de ataques aéreos?



Essa estratégia que consiste em lançar bombardeios pesados sobre polos econômicos, industriais e militares era, aos olhos de Churchill e do comandante aliado a maneira de colocar fim ao conflito com a Alemanha nazista.

Nantes foi escolhida devido ao seu porto e estaleiro, suas indústrias e sua posição dentro do dispositivo militar alemão. 

À partir de 1941, bombardeios esporádicos atingiram Nantes e sua zona portuária. Um dos ataques mais significativo aconteceu em 23 de março de 1943, quando um esquadrão composto por 11 bombardeiros destruiu parte da usina “Des Batignolles” que produzia locomotivas para a fronte Oriental (países do Eixo). Infelizmente, os trabalhadores não foram alertados a tempo, o que resultou em 33 mortos.

Essa onda de fortes ataques (quase que covardes) teve um fim trágico em 16 e 23 de setembro. As bombas americanas, 8ª unidade da Força Aérea, destruíram Nantes. 

O bombardeio foi decidido após um intenso período de ataques sobre a Alemanha no qual a aviação americana sofreu pesadas baixas.

Foi um submarino de apoio logístico ancorado à Saint-Nazaire (cidade da litorânea da commune de Nantes que hoje possui o principal “chantier naval” da França) que determinou Nantes como um objetivo para uma ofensiva. 

Amanhã falarei do ataque do dia 16 de setembro e também como a prefeitura irá lembrar e homenagear os mortos e feridos neste triste evento. 

Mas só para adiantar, já coloco uma primeira foto de Nantes após bombardeio. Quem conhece Nantes sabe que a Place Royal é quase como o “coração” do centro da cidade. Por isso que acabei escolhendo esta foto para ser a primeira a apresentar. 






Fontes para este post: 
Texto - www.nantes.fr (site oficial da cidade de Nantes)
Foto da cidade bombardeada - www. nantes.fr 
Foto da cidade hoje - Google google street veal.





quarta-feira, 11 de setembro de 2013

3 anos de França!!

E cá estamos, 3 anos completos na França!!! Nossa jornada francesa se estenderá um pouco mais do que tínhamos previsto, mas só em 3 meses - para alegria da família que nos aguarda ansiosa, principalmente para conhecer o Artur.

E, num momento como esse, a gente acaba fazendo reflexões, sobre o que valeu e o que não valeu, quais as boas lembranças que vamos levar, o que nos faz falta do Brasil o que vai nos fazer falta da França.... e digo pra vocês, não é fácil!!! Eu não sou uma pessoa que lida bem com mudanças então, mesmo que essa volta estivesse programada desde o começo somado ao fato de eu realmente querer volta, o "processo" acaba sendo complicado.

Nós já começamos a nos desfazer de algumas coisas, as mais supérfulas, começamos a vender, dar, colocar fora, já estamos organizando o que vamos vender e quando vamos... estamos já vendo datas para sair do apto, o que vamos levar para o Brasil e como vamos levar.

Quando nós vendemos o nosso primeiro item, que foi um fogãozinho elétrico  de 2 bocas, me doeu no coração!!! hehehehehe, ele foi o nosso primeiro "fogão" aqui, nós usávamos no outro apartamento - até feijoada eu fiz com ele. Porque me doeu? Por que eu me apego as coisas, não tanto pelo material mas pelo afetivo, e ver alguém levar o meu fogãozinho que eu cuidei com tanto amor, foi difícil!
Foi difícil também quando vendemos o nosso sofá.... ahhhh que triste!! Foi a primeira coisa "nova"que compramos aqui, eu vendo ele ir embora,  comecei a lembrar de quando ele chegou no nosso apto, da felicidade que foi, da surpresa que eu fiz pro meu marido, já que ele não sabia o dia que o sofá seria entregue!!

Mas, depois de vender 2 ou 3 itens o sentimento começou a mudar, agora eu quero vender tudo hehehehhehe!!!!  Até roupas, bijus, bolsas que eu não uso, está tudo a venda, fiz um "vide dressing" como eles dizem aqui!!! Estou tentando fazer a "prática do desapego".

Sobre isso, tem um texto muito legal da Martha Medeiros, uma escritora gaúcha. Ela fala de quando morou no Chile e do momento que teve que esvaziar o apto... situação parecida com a que estamos vivendo.  Eu achei o texto neste link, por favor, não deixem de ler, é lindo!

E é incrível como fazer essa "triagem" faz bem, limpar, colocar coisas fora, se desapegar, tirar o pó, nossa!!!!!!!! Eu acredito muito em energias, e acho que tudo isso faz com que as energias da casa circulem, muita coisa "acumulada" faz a energia ficar estagnada.

Os dias que eu estava lavando as roupas que decidi colocar pra vender, ou organizando os objetos, tirando as fotos, formulando os textos para o site de vendas, isso ocupou o meu tempo, e foi  até divertido. Ainda está sendo, porque todo dia incluo mais um item hehehehe. E melhor ainda quando conseguimos vender alguma coisa :)

Sei que com relação as minhas coisas -roupas, bijus, bolsas - não vou vender nem a metade, mas só o fato de eu ter aceitado me desfazer delas já me fez bem!

Também sobre o desapego, tem um outro texto lindo, do Fernando Pessoa, com o qual também me identifiquei:





Esse post era pra ser uma análise dos meus 3 anos aqui, mas terminou sobre "desapego". Acho que neste exato momento é tudo que eu estou vivendo. 

Muitas pessoas me perguntam, porque eu quero voltar para o Brasil, tão cheio de problemas... concordo, posso relatar aqui problemas em ordem alfabética e vou conseguir para todas as letras do alfabeto!!! E também posso relacionar inúmeras qualidades da França que não vou encontrar no Brasil. Mas, o Brasil tem uma coisa que eu não vou encontrar em nenhum outro lugar do mundo, o meu lar! A minha essência, o "chez moi", como dizem os franceses..... e isso hoje, pra mim,  faz toda a diferença!!!